E as janelas transformam-se em pássaros quebrados
(quebrados do verbo quebrar)
E os pássaros mudam para árvores negras
(escuridão na maior parte das vezes)
E as árvores incendeiam luzes sensíveis
(delicadas como um martelo de cristal)
E a sensibilidade cai perante revelações
(ponto de interrogação exclamativo)
E as profecias compram estúdios martelados
(voltámos à força do aço)
E o ritmo descendente leva a lua ao suicídio
(eu decido o que quero)
E o suicídio arrependido leva a sua vida
(são 23 e 01)
E a vida nefasta aproxima-se da Morte
(sacode a emoção do corpo)
E a Morte perdida esconde-se da luz
(os anjos vomitam claridade)
E a luz aconchegada clama por sinais
(sem elementos óbvios)
E os sinais tímidos escondem-se em pianos
(nota a minha velocidade)
E os pianos arrogantes vibram pelas mãos
(serpentes com dedos)
E as mãos delirantes perdem o poder
(vício feminino)
E o poder inacabado ofusca-se no tempo
(o que nos separa é a relevância do mesmo)
E o tempo hesistante tropeça em visco
(atacar a excentricidade)
E o visco viciado volta à beleza
(ganhar com uma cara de plástico)
E a beleza idealizada torna-se rebelde
(desafiar espantalhos)
E a rebeldia sem causa está em decomposição
(intensidade estática)
E a decomposição distraída regressa ao início
(Éden florido de bocas mastigadas)
E o início voraz deseja um sacrifício
(jogo satânico de culpa antropomórfica)
E o sacrifício acústico dispara negativos
(planeta sem vontade de expressão)
E os negativos tremidos relembram a estética
(ruínas exteriores a dobrar)
E a estética discute a delícia das lâminas
(teste natural e enganos subsequentes)
E as lâminas iletradas racham mil espelhos
(capturar pó de teatralidade)
E os espelhos mostram cemitérios de imagens
(superficialismo subtil)
E as imagens enforcam-se na parede do Futuro
(resultado de uma longa-metragem de palavras desprovidas)
E eu
Sou um
Continuo um
Sempre um
Adolescente numa garrafa
Dedilhado
Do nada
Ámen
domingo, 20 de julho de 2008
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