quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Desconstruir a realidade
Construir o sonho
Com mãos de veludo
Mãos de veludo

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Rita Repulsa

ficou tão triste o gordo quando reafirmaram a falta de
bolachas no Inferno
triste, eu no teu lugar mudava de lugar e vinha para o meu

sou o ídolo do povo
a semente da revolta no olho do cinema
fiz esta canção para assustar pássaros doidos

repulsa, repulsa!
corta os pulsos, os pulsos!
sonhei-te no ângulo remoto do espelho
corta os pulsos, repulsa!

também achei boa ideia mutilar o voo dos normais
simplesmente: a cura

sábado, 31 de outubro de 2009

g l i t t e r

sou digno da palavra maior
sou do gueto felpudo
dá-me carinho
dá-me brilho

mima-me como um animal

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

posso contar-te coisas fantásticas

falo muito de cemitérios e extravagâncias assim
velas e fogo ceras e dramas
avalanches de bolos de aniversário
cobertura de homicído não-premeditado

fazemos anos todos os anos
e continuamos a fazer festas
só fiz anos uma vez e nem bolo me ofereceram!

só vivo porque ainda não se deu o Naufrágio do Universo
só caminho pela possibilidade de me esquecer daquela noite noite noite
entre esqueletos centauros e chuva
no sabor ácido de Hades

brincado com a pontuação da alqumia
dying numa discoteca em chamas

no meio da plebe

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Brinco com as palavras minhas amigas
Como Gepetto e suas criaturas na oficina!
Amo-te mas não acreditas em entusiasmo
Acalmo mas continuas em negação
Serei para ti
Como um pinóquio em chamas
Um menino redondo
Um menino-homem enorme
Um boneco que brinca na
lareira e arde por cada
palavra cruel que satisfaço
O mundo é meu e terno em
lugares e obscuro

Minto minto minto
e não cresce a inteligência que sinto
POR TI

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Tempo de Luxo

Vinha no ar uma mistura lilás
Estes segundos passaram desde que os animais passaram, estes
animais redondos
que enchem copos destemidos com o suor dos outros, que se
ligam uns a mim em
máquina humana insana solta.
É assim que vou aos saltos perfurando o chão do baile decadente
permitindo que uma equação me comande a miséria, desejando a
culpa como um temporário sem fuga, uma
vítima da agência onde o violento tem cara de pouco
e é violento e é pouco
e a violência é negligência
e os padres cantam ao matar crianças no altar
e não há vozes quando há criminosos no céu e claro que eu, não
sou diferente
sou tão igual a ti e aos outros, até
prefiro o genocídio como uma entrada bárbara, essas
peças de lábios em fatias desproporcionais, bonitas
almas de porcelana em caos existencial, no dia em que o dia é o
dia do
apaixonamento ineficaz e mais e muito mais do que ver
lembro cicatrizes, lembro tudo e tão pouco
lembro a lembrança que já nem é lembrança pela distância, eu se
fosse eu
resumia espíritos selvagens em dosagens inferiores infringidas
CoMiA a DoR aTé MiNuToS dEsApArEcErEm Na
InCoNsIsTêNcIa TeRrEnA
sim...SIM..sim
era capaz, claro que era capaz
de me sentar no topo do mundo
sem pestanejar

(Um dia o dia apareceu sem avisar. E dormiu a noite toda.)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A parafina faz-te mal faz-te mal
Incendeia-te bebe querosene
a consistÊncia do pesadelo começa na concepção
a consistÊncia do pesadelo começa na concepção