quinta-feira, 7 de maio de 2009

Sinceramente Vossa

Às terças pinto as unhas e reparo
como é absurdo introduzir quotidiano
nesta vida irregular

Perdido o entusiasmo infantil
tenho os lábios cosidos para ver
se as palavras não fogem

[Ninguém nada valoriza
Ninguém escuta o silêncio dos pássaros]

Rita Duarte
05/05/09

Fragmentos Pessoais

O telefone toca. Tu atendes.

- Sim? Não, não pode falar comigo. Não estou em casa.

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Cruz no peito é interminável
Cruz em cada pele em contacto
Religião é âncora
Seguro ter pára-quedas
Quando te atiras do infinito

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Louca suficiente para permanecer aqui

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A sensual rouquidão e o teu toque no meu
O teu toque no meu, o teu toque no meu
Tic toc tic toc, tic tac tic tac
O tempo pára
Somos insanos
Shh! Não vamos dizer nada. Seremos discretos

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O "eu" poético é carregado de emoções
Pertencem-me e não me pertencem
Aqui crio e recrio-me

É encantador tudo isto

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O planeta é pequeno demais para mim.
Renego-o.


Rita Duarte
30/03/09
Minha esperança como um rio negro (negro)
Minha salvação como uma porta fechada (BLAM)
Fantasia e virtual num só (um)

Olha para mim, destrói-me
Os meus sonhos estão mortos mortos

Rita Duarte
11/02/09

O Espelho

Um monstro deve ter poucos amigos
se chegar a ter, é um, mas um não chega, um é ele
e o sentido perde-se
na pura individualidade

Rita Duarte
15/01/09

Minhas Complicações Subtis

Na pausa acelerada páro
Sinto-me cansada
Palavras são bonitas quando rimam
Momentos rimam
Eu rimo

Quando não há nada mais a rimar

Sou um momento
Uma etapa
Uma viagem
Separada por vírgulas
Dividida por 0

Idolatrando cada momento especial
Apodrece o meu ser na sepultura natural


Rita Duarte
1/01/09

quarta-feira, 6 de maio de 2009

o Mundo em Power Chords

os pulsos estão fracos, perderam a alimentação, o horário habitual da alimentação foi perdido
o coro dividido em dois: desmedido no cabaret

palmas lentas em delay
sorrisos em reverb

suicídio em loop


"Assaltante abatido com tiro na cara em perseguição policial"

Choque!
Choca-te!
Choca!
Colisão!

devia estar a chover
descarga nocturna de solos em cima do telhado
ele tocava e a chuva não parava mas
sssabes é bom

porque nao pode chover para sempre

(previsível na imprevisibilidade) é
improvável que escreva palavras saltitantes sem dedos meus no lugar
é provável que tenha um
cérebro espalhado no lugar inverso

lobo acelerado
evolução disléxica
neurónio digital

é este o

planeta: da confirmação: da mentira
ninguém suspeita da falsa ideia bem executada
ninguém suspeita dos sonhos dos tolos

terça-feira, 5 de maio de 2009

(sequência de baixa auto-estima)

harpsichord com força de mamute atinge os demais com uma flecha
na cara uma flecha
e sangue no INterior

não há forma de memorizar a imortalidade
ajoelhado de floresta extraída por motivo não-sei
como uma oração gigante

ela voa no videoclip e está liberta
no ecrã
gritar é arte com facas apontadas
quero levar-te lá

"a vida é um mistério"
sou tudo o que sou para ti

deves estar em casa a não pensar em mim
harpsichord e harpa, não sei se é a COMBINAÇÃO
ideal

dedos leves, flutuantes, cordas múltiplas
orgasmos multicolores colares

és linda como um peluche na loja
bonita como a lua num dia apaixonado

o homem reanimado pelo teu beijo

Confissão:

a amante da minha amante não sabe que tenho outra
e ninguém pode querer interiorizar as vísceras
que me compõem hoje

*

pronto, falei de ti, linda, da oração e destas coisas do quotidiano
as coisas que penso quando não estás no alcance da minha

egoístaluxúriametalizada